quinta-feira, 27 de junho de 2013

Autismo, Psicose Infantil!

      Não há evidências inquestionáveis quanto a etiologia bioquímica, genética ou estrutural referente ao SNC(Sistema Nervoso Central) para as psicoses autísticas. O que existe são estudos multifatoriais que tentam entender os sintomas.
      O diagnóstico nem sempre é fácil. A instalação da psicose não se faz em data fixa, os sinais podem ocorrer desde os primeiros meses de vida da criança, mas também podem ocorrer em épocas mais tardias. Frequentemente, ocorrem atrasos no desenvolvimento da marcha e fala, provavelmente pela falta do investimento  afetivo no mundo externo.


     
      K. é Autista, Psicose Infantil e apresenta dificuldades na fala. Este exercício com uso de telefone e fones alternando o uso, é uma forma lúdica de exercitar a expressão oral e organização da narrativa. K. até os 4 anos de idade fez estimulação na APAE devido a dificuldade do controle da saliva(babava). Hoje, ainda com dificuldades na expressão oral faz atendimentos com fonoaudióloga, mas não tem dificuldades em controlar a saliva. Apresenta também dificuldades na marcha(puxa um pouco uma das pernas).

      Noções contemporâneas trata a distinção entre Psicose e Autismo. A psicose é tratada a mais tempo e o autismo está sendo cada vez mais estudado e pesquisado, porém é mais recente.
      A psicose é vista pela Psicanálise como uma estrutura clínica(existem três estruturas de personalidade: Psicose, Neurose e a Perversão)e o autismo sendo um agravamento precoce desta estrutura. Mas ainda é tema de controvérsias e discussões. Na psiquiatria, o autismo é visto como uma síndrome, ou seja, um conjunto de sintomatologias patológicas, que não possuem uma etiologia definida. A causa não foi isolada ou encontrada, acredita-se que muitos fatores sejam responsáveis ao mesmo tempo por tal quadro.
      Atualmente, a psiquiatria denomina o autismo de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento(CID10 F84.0), por suas características patológicas que retardam ou paralisam o desenvolvimento esperado de uma criança(aprendizagem, relacionamentos, etc.).




      PSICOSE:
  • Mecanismo de fuga, isolamento.
  • Afastamento da realidade externa.
  • Fuga para a realidade interna, fantasia.
  • Ego frágil.
  • Intolerância a limites, à frustração.
  • Dificuldade na abstração(falha na esfera simbólica).
     AUTISMO:
  • Ensimesmamento psicótico do sujeito em seu mundo interno e a ausência de qualquer contato com o exterior podendo a chegar ao mutismo.
  • Surgimento precoce de distúrbios(sono, alimentação, fobias).
  • Extremo isolamento.
  • Ausência da fala, da comunicação(distúrbios da linguagem).
  • Quando a fala está presente ocorrência da ecolalia.
  • Estereotipias gestuais(repetitivos).
  • Necessidade da rotina fixa(padrão repetitivo).
  • Recusa do olhar.
  • Incapacidade no relacionamento interpessoal(mesmo com os pais).
  • Auto e/ou hetero agressividade presente.
  • Uso de objetos externos independente de sua funcionalidade, obedecendo a uma lógica subjetiva.
  • Indiferença à dor.





      R.D. é um Deficiente Múltiplo(DMU), Deficiente Intelectual(DI- Síndrome de Down)  e TGD Autista. Dificilmente fala, ficando 90% do tempo que está na escola em total mutismo. Segundo a mãe, o mesmo ocorre em casa. Exercício de encher um balão, de forma lúdica, trabalhar a respiração e os movimentos musculares que envolvem a expressão oral e também as relações interpessoais, pois procura ficar isolado constantemente.

      CAUSA:

      PSIQUIATRIA:

  • Constitucional(genética/bioquímica).
  • Uso de drogas na gestação(pode causar alterações no feto).
  • Uso de drogas no homem pode causar anomalia em sua produção de espermatozóide e assim afetar a criança.

      PSICOLOGIA/PSICANÁLISE:

      Meio externo(cultura) e relação familiar. Etiologia multifatorial.


      TRATAMENTO:

  • Equipe multidisciplinar: Psiquiatra, Neurologista, Psicólogo, Fonoaudióloga, Assistente Social, Psicopedagoga, T.O., entre outros.
  • Tratamento psicofarmacológico.
  • Família precisa de acompanhamento por intermédio de terapia familiar e/ou psicoterapia individual.

      Segundo Psiquiatra Kanner, abaixo a tabela pela idade, a partir de suas pesquisas clínicas:

  • Autismo Precoce 0/5 anos.
  • Autismo Idade Escolar 6/7 anos.
  • Autismo Tardio 10/13 anos.
  • Esquizofrenia  13 anos em diante.
      PSICOSE:  Sai daquilo que lhe causa angústia(desorganiza). Mecanismo de fuga.

      AUTISMO: Ausência/indiferença frente à realidade externa. Mecanismo de isolamento.

BIBLIOGRAFIA:
Contribuição de René Schubert Psicólogo/Psicanalista.
BALBO  Gabriel e BERGÈS  Jean. Psicose, Autismo e Falha Cognitiva na Criança. Ed. CMC. Porto Alegre RS, 2003.
FACION José Raimundo. Transtornos Invasivos do Desenvolvimento e Transtornos de Comportamento Disruptivo. Ed. IBPEX Ltda. Curitiba 2005.
CID 10 Classificação Internacional de Doenças. Ed. USP São Paulo 2007
DSM-IV  Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Ed ARTMED Porto Alegre 2002 



sexta-feira, 14 de junho de 2013

Síndrome Prader Willi!

       A Síndrome de Prader Willi é uma doença genética (apresenta ausência de determinada região do cromossomo 15, 7 genes deste cromossomo estão faltando), que afeta o desenvolvimento da criança, resultando em obesidade, estatura reduzida e baixo tônus muscular(hipotonia).

      F.S.A. é portadora de Síndrome de Prader Willi. Está com 110Kg. Tem atendimento com psiquiatra, psicólogo e endocrinologista. Está no 4º ano do ensino fundamental.

      A Síndrome foi descrita pela primeira vez em 1956, por Andrea Prader, Heinrich Willi, Alexis Labhart, Andrew Ziegler e Guido Fanconi. O distúrbio é considerado atualmente a principal causa de obesidade de origem genética.
      Os portadores apresentam dificuldades na aprendizagem e problemas comportamentais, entre eles depressão, episódios de violência, mudanças repentinas de humor, impulsividade, agitação e obsessões por determinadas ideias ou atividades.
      De ordem genética, a parte ausente é de origem paterna, e não materna. O diagnóstico é feito por meio de teste genético, capaz de identificar a ausência da contribuição paterna no cromossomo 15. Geralmente, a identificação da síndrome ocorre após a manifestação da obesidade. Sugere-se que o teste genético seja requisitado em recém nascidos com hipotonia e dificuldade na sucção.

      F.S.A. realizando atividade de organização temporal, sequência lógica no atendimento educacional especializado -AEE- Sala de Recursos.

         O conhecimento da família sobre a síndrome permite a busca de um  espaço inclusivo, seguro, assistido e estimulador para o paciente se desenvolver e de um acompanhamento de saúde e de educação adequados.

      F.S.A. é alegre, comunicativa e está alfabetizada. Apresenta dificuldades na compreensão e raciocínio lógico.

      A síndrome possui uma síndrome irmã, a Síndrome de Algelman.
      A Síndrome de Prader Willi apresenta o seguinte quadro clínico:
  • Retardo mental.
  • Hipotonia grave( flacidez).
  • Dificuldades de deglutição(para engolir).
  • Obesidade.
  • Hipogonadismo(defeito no sistema reprodutor). Dificuldades na saciedade.
     Seu Código de Doença: CID 10 - Q87.1

      F.S.A. adora atividades na informática. Não gosta de repetir as atividades, gosta de inovar e não tem receio de tirar as suas dúvidas.Repete várias vezes a mesma dúvida. Ainda não realiza abstrações, necessitando do material concreto para as atividades lógico matemáticas. Necessita ser observada constantemente na alimentação, pois é compulsiva e se alimenta várias vezes durante o dia.

BIBLIOGRAFIA:
Laboratório de Neurociências, São Paulo - SP.




domingo, 9 de junho de 2013

A Educação não pode ser TERCEIRIZADA! A Família frente a educação dos filhos!

       No dia seis de junho de 2013 na Igreja Evangélica Brasil para Cristo estive ministrando a palestra sobre Relacionamento pais e filhos; A família frente a educação dos filhos; Pais que levam uma vida com oração; etc.
       A palestra foi produtiva e esteve presente por volta de 80 pais e alguns filhos já adolescentes e jovens. Pais interagiram com exemplos e questionamentos.


      Foram pontos imprescindíveis da palestra:

  •  A presença do AMOR na decisão para o casamento;
  •  O Não e os Limites aos filhos são PROTEÇÃO; 
  • A Coerência dos pais no FALAR e AGIR para a construção da segurança na personalidade dos filhos e a aquisição de confiança para com os pais; 
  • Não subestime uma criança, ela PERCEBE e está ATENTA a tudo;
  •  A Organização e a higiene do LAR, fatores importantes para a aquisição de bons hábitos nos filhos; 
  • A importância da sinceridade e a VERDADE nos relacionamentos familiares para a construção do caráter e moral dos filhos que serão projetados na SOCIEDADE;  
  • A educação dos filhos não podem ser TERCEIRIZADOS, é tarefa dos PAIS;
  • É tarefa dos pais a alimentação, a higiene, a educação, o social, o mental e o espiritual dos filhos;
  • Lar em confusão e constantes conflitos geram filhos rebeldes e inseguros;
  • A importância do DIÁLOGO no lar e na educação e trato com os filhos, etc.



      Pais que participaram da palestra trouxeram à tona situações de família de origem que projetavam em suas famílias constituídas e que aprenderam a se libertar do passado e entender que os seus filhos estão vivendo em outro momento de história e quanto este rompimento do que passou  é importante para os relacionamentos interpessoais e para o agir de seus filhos no social, na escola e nas suas produções.


      Pais e filhos participaram da palestra trazendo a necessidade de se refletir sobre a família, a igreja a escola, e da responsabilidade da educação que deve iniciar no LAR. A escola e a igreja são auxiliadores da educação. Trouxeram também a necessidade de se falar sobre o que é ÓBVIO, pois este também deve ser dito!

BIBLIOGRAFIA:

TRIPP Tedd. Pastoreando o Coração da Criança. Ed. FIEL, São Paulo - 2007.
EETAD (Escola Teológica das Assembléias de Deus) A Família Cristã. São Paulo- 2004.
MORA Estela.Psicopedagogia Infanto Adolescente Vol 1, 2 e 3. Ed. CULTURAL S.A. - 2007

sábado, 11 de maio de 2013

Método Teacch: Autista!

       Vários transtornos psicopatológicos e deficiências na infância e adolescência podem manifestar-se,
 primeiramente, de uma forma bastante sutil, muitas vezes, apresentando grandes dificuldades para o avaliador durante a formulação do diagnóstico e para o professor especialista em educação especial.
      Neste período, é possível observar que a aquisição de uma série de habilidades, sejam de ordem psicomotora e/ou social, pode ficar comprometida, o que traz sérios prejuízos à vida dessas pessoas.
      Em 1943, o psiquiatra Leo Kanner observou e descreveu 11 crianças que apresentavam um quadro clínico peculiar: o principal sintoma era uma incapacidade para se relacionar com outras pessoas e situações.
      Entre outras características observadas, destacavam-se a ausência de movimento antecipatório, a falta de aconchego ao colo e alterações da linguagem, como a ecolalia, a descontextualização do uso das palavras, inversão pronominal, repetição das atividades e movimentos(estereotipias), grande resistência a mudanças- mesmo que pequenas- limitação da atividade espontânea.

R.D. tem síndrome de Down e comorbidades com autismo. Ausência de movimentos e resistência durante as atividades. Colocação de fichas organizadas, observando a mesma cor (Método Teacch).




R.D. interagindo com rótulos e peças para montar. Após vários atendimentos, começam a surgir alguns movimentos e envolvimentos com objetos e atividades propostas.


Este aluno R.L., asperger, está realizando atividade de pareamento, Método Teacch para autistas, com rótulos. Já está alfabetizado e apresenta conservação de quantidades.


R.L. colocando objetos, Método Teacch, no respectivo lugar conforme a sua forma.

       Método Teacch, pareamento tampas e potes. O pareamento é um pré requisito para que o educando aprenda receber informações de sua rotina e situação de aprendizagem através de objetos ou cartões.


       R.L., asperger realizando o pareamento, Método Teacch, com tampas e potes.
      O Método Teacch, que significa Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Deficiências Relacionadas à Comunicação, utilizado com alunos TGD, Transtorno Global do Desenvolvimento, em específico, com autistas, deve ser organizado de tal forma que o aluno entenda o que precisa  fazer somente olhando para o material: que ele perceba o que deve fazer, como fazer e onde guardar após a conclusão do trabalho.
      O material deve ser organizado da esquerda para a direita, seguindo os passos minuciosamente, respeitando a direção da escrita e separando os diferentes materiais que formam uma atividade.










       Essas imagens são algumas atividades do Método Teacch, para realizar intervenções nas aprendizagens com autistas. 
      Os materiais utilizados, envolvem conteúdos e atividades das diferentes áreas do desenvolvimento, tais como: cognitiva, psicomotora, auto cuidado, linguagem, social, emocional e acadêmica, as quais podem ser exploradas de acordo com o programa individual de cada educando, baseado na sua necessidade bio-psico-social.
      Área Cognitiva: Desenvolver na criança a capacidade de aprender as funções intelectuais, melhorando a sua capacidade de interiorizar as habilidade e conhecimentos do meio em que vive e melhorar a aprendizagem acadêmica. Atenção, memória, percepção, associação de ideias, sequência lógica e organização de ações.
      Área Social: Promover no aluno a integração no meio onde está inserido. Socialização do aluno consigo mesmo, com relação à família, com relação à escola, com relação à comunidade e hábitos de cortesia.
      Área Emocional: Proporcionar ao aluno o conhecimento de si mesmo, suas possibilidades e limitações, facilitando a formação de sua auto imagem e adequação dos comportamentos de acordo com a idade, bem como estimular o desenvolvimento de sua independência e também, orientação sexual.
BIBLIOGRAFIA:
APOSTILA DA AMA, Associação de Amigos do Autista de São Paulo, novembro de 1995.
BERGES J, BALBO G, Psicose, Autismo e Falha Cognitiva na Criança. CMC Editora, Porto Alegre, 2003.
FACION J.R., Transtornos Invasivos do Desenvolvimento e Transtornos de Comportamento Disruptivos. Editora IBPEX Ltda, Curitiba, 2005.





sexta-feira, 29 de março de 2013

Disgrafia: Transtorno da Escrita!

      A disgrafia é uma alteração da escrita que afeta na forma ou no significado, sendo do tipo funcional. É também chamada de letra feia. É uma perturbação no aspecto motor do ato de escrever provocando compressão e cansaço muscular, que por sua vez são responsáveis por uma disgrafia deficiente, com letras pouco diferenciadas, mal elaboradas e mal proporcionadas.
      A criança com disgrafia apresenta manifestações secundárias motoras que acompanham a dificuldade no desenho das letras, e que por sua vez a determinam. Entre estes sinais, encontram-se uma postura incorreta, forma incorreta de segurar o lápis ou a caneta, demasiada pressão ou pressão insuficiente no papel, no ritmo da escrita muito lento ou excessivamente rápido.


      A criança com disgrafia tem dificuldade no plano motor, no plano perceptivo e no plano simbólico. A dificuldade de integração visual motora dificulta a transmissão de informações visuais ao sistema motor.
      "A criança vê o que quer escrever, mas não consegue idealizar o plano motor." Sua escrita é nitidamente diferente da escrita da criança normal, o que acarreta homogeneidade no interior do grupo dos disgráficos.


O que fazer?

  •       Deixar a criança expressar-se livremente no papel, sem corrigir nem julgar os resultados.
  •       Encorajar a expressão através de diferentes materiais. Todas as tarefas que impliquem o uso das mãos e dos dedos são positivas.  
  •      Incitar a criança a recortar desenhos e figuras, a fazer colagens e picotar.
  •    Promover situações em que a criança utilize a escrita ( ex: escrever pequenos recados, fazer convites e postais ).
  •     Fazer atividades como contornar figuras, pintar dentro de limites, ligar pontos, seguir um tracejado, etc.
      Orientação espacial, noção de tamanho, distância, à medida que é utilizado o limite das linhas, discriminação visual. É preciso respeitar o ritmo de cada pessoa na aprendizagem se iniciando com linhas retas, depois para as curvas e assim uma progressão gradual do indivíduo na medida em que o trabalho vai se encaminhando. Exercícios de orientação de tamanho, de densidade, de profundidade, espacial, noção de início, meio e fim, limites.


Problemas Pessoais:

  • Imaturidade física motora.
  • Inadaptação para a aprendizagem das destrezas motoras.
  • Pouca habilidade para pegar no lápis ou na caneta.
  • Posturas incorretas.
  • Déficit em aspectos do esquema corporal, da lateralidade e das funções perceptivos-motoras.
  • Perturbação de eficiência psicomotora ( do equilíbrio e motricidade débil ).


Problemas Pedagógicos:

  • Orientação deficiente e inflexível.
  • Orientação inadequada da mudança de letra scripti para a cursiva.
  • Ênfase excessiva na qualidade e rapidez da escrita.
  • Prática da escrita como atividade isolada das exigências gráficas e das restantes atividades discentes.
Bibliografia:

MARTINS, V(2003) Estudo acompanhado: manual de sobrevivência para estudantes perdidos e para professores ansiosos. Porto: Asa Editores
FERNANDES, P(2002) Manual de Estudo. Porto: Porto Editora
SANTOS, M(2005) Aprender a Estudar. Lisboa: Lisboa Editora
ALMEIDA, A(2010) Manual para tratamento de Disgrafia. Biblioteca Editora.


    

domingo, 10 de março de 2013

Autismo! Entendê-lo? Ainda é desconhecido!

      Alguns autores entendem o autismo clássico aquele que apresenta a "tríade" de comprometimentos: o isolamento social, dificuldades na comunicação e insistência na repetição. O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 2000, Editora Artmed, define o autismo como dificuldades sociais, comprometimento da comunicação e comportamentos restritos. Todos os déficits precisam estar presentes, mas o déficit social sendo o mais acentuado.



      "Transtorno de desenvolvimento caracterizado por dificuldades e anormalias em várias habilidades de comunicação, relacionamento social, funcionamento cognitivo, processamento sensorial e comportamental." (Gary B. Mesibov)
      O autismo é derivado de um desenvolvimento neurológico atípico. Kanner, 1943, descreveu pela primeira vez o autismo. Desde então a síndrome vem sendo estudada. Leo Kanner, psiquiatra amaricano, fez esta pesquisa baseado em algumas crianças que se encontravam em sua unidade psiquiátrica com uma linguagem peculiar, insistência em rotinas e possuíam também, um comportamento repetitivo.
      A gênese do autismo tem uma base biológica e um forte componente genético.
      Atualmente, o autismo é frequentemente citado como Transtorno do Espectro do Autismo(TEA).
      Além do autismo clássico, o transtorno de espectro de autismo compreende:

  • O Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação(visto como uma forma mais amena do autismo).
  • Síndrome de Asperger(Não apresenta o mesmo déficit de comunicação, diferente do autismo, e apresenta quociente de inteligência normal).
  • Sindrome de Rett(afeta apenas meninas, a capacidade de interação social se deteriora, as habilidades cognitivas, motoras e de fala ficam comprometidas).
  • Transtorno Desenintegrativo da Infância(após dois anos de vida, as habilidades cognitivas, motoras e de vão se deterorando. Afetam mais meninos).
  • Transtorno Semântico-Pragmático(envolve a linguagem, pode haver ecolalia).
  • Transtorno de Personalidade Esquizóide(distanciamento das relações sociais).
      Com relação a inteligência, as crianças com transtornos do espectro autista, surgem com aparecimento de dificuldades profundas na aprendizagem e até alunos com capacidade acima da média.
      Para diagnosticar o autismo, a única maneira é através da observação clínica e de uma equipe interdisciplinar.
      Para auxiliar um aluno com autismo, deve-se oferecer sempre atividades que favoreçam a sua participação(use duplas ou grupos de quatro), realizar planejamento individual de ensino, observá-lo em atividades livres e dirigidas, não infantilizá-lo e sim respeitar a sua idade cronológica, disponibilizar material pedagógico ao seu alcance na sala de aula em locais diferenciados, fazer uso de regras fáceis na hora da recreação.
Bibliografia : FARRELL, Michael Dificuldades de Comunicação e Autismo, Porto Alegre 2008. Editora Artmed.





domingo, 17 de fevereiro de 2013

Rompendo paradigmas: Teoria das Inteligências Múltiplas contribuição para o Deficiente Intelectual!



Através do aporte teórico da Teoria das Inteligências Múltiplas do Dr Howard Gardner, apresenta-se uma visão mais ampla sobre inteligência, novas possibilidades para a aprendizagem do deficiente intelectual e para que o profissional que trabalha com esse sujeito especial, amplie a sua credibilidade em ensinar e investir numa metodologia observando os talentos que esse aluno apresenta. Através desses talentos observados, trabalhar vinculando com outros recursos, para que o aluno consiga aprender dentro de suas limitações.


Na virada do século XVIII para o XIX, ocorreu o aparecimento de uma criança com hábitos de selvagem nas florestas do sul da França, Victor aparentando 12 a 15 anos, mudo e parecia surdo.
O garoto de Aveyron despertou o interesse do médico Jean Itard (1774 - 1838 ) que defendeu com convicção a ideia de educá-lo e de (re)integrá-lo à sociedade. Para o médico o estado em que se encontrava o garoto se devia à privação do contato social.
Em sua didática, Itard remete ao que hoje falamos em fazer o aluno ter suas necessidades básicas construídas e conquistadas, sua autonomia em poder conviver socialmente, para após, trabalharmos as questões subjetivas e intelectuais.
O Dr Howard Gardner, por muitos anos tem conduzido uma pesquisa sobre o desenvolvimento das capacidades cognitivas humanas. Ele rompeu com a ideia de inteligência onde a cognição humana é unitária e quantificável.
Em seus estudos das capacidades humanas, Gardner estabeleceu critérios segundo os quais é possível medir se um talento é realmente uma inteligência.
Cada inteligência deve ser uma característica de desenvolvimento, ser passível de observação em POPULAÇÕES ESPECIAIS, como prodígios ou proporcionar alguma evidência de localização no cérebro e dar suporte a um sistema simbólico ou de notação. (Campbell e Dickinson/p.21/2000)


Cada indivíduo revela características cognitivas distintas. Possuímos quantidades variadas das inteligências e as combinamos e usamos de maneiras extremamente pessoais. Restringir os programas educacionais ao predomínio das inteligências linguísticas e matemática minimiza a importância de outras formas de conhecimento. Assim muitos alunos que não conseguem demonstrar as inteligências acadêmicas tradicionais ficam confinados à baixa estima e seus pontos fortes podem permanecer não percebidos e perdidos, tanto para a escola como para a sociedade em geral.
Pensar sobre a inteligência remete pensar qual o seu significado.
Quem é inteligente? Inteligência é uma capacidade ou uma habilidade? São várias capacidades e habilidades associadas? A inteligência pode ser construída ou modificada? De que forma(s)?
As noções de inteligências variam entre as culturas. Não existe um conceito universalmente aceitável sobre inteligência. Os métodos para estudar inteligência variam dentro das disciplinas e entre elas, e ajudam a moldar definições de inteligência.
A inteligência pode ser estudada em muitos níveis, variando do sistema neuronal do indivíduo e ao socioeconômico. Os valores e as crenças moldam as diferentes visões de inteligências das pessoas.
As pesquisas do Dr Howard Gardner não só revelou uma família mais ampla de inteligências humanas do que previamente se conhecia, mas também gerou uma definição pragmática renovadora do conceito de inteligência. Em vez de ser um "talento" humano em termos de uma pontuação em um teste padronizado, Gardner define inteligência como: A capacidade de resolver problemas encontrados na vida real. A capacidade de gerar novos problemas a serem resolvidos. A capacidade de fazer algo ou oferecer um serviço que é valorizado em sua própria cultura.
A definição de Gardner da inteligência humana ressalta a natureza multicultural da sua teoria.
Nem todas as pessoas exibem o mesmo perfil de inteligência, nem compartilham os mesmos interesses. Em uma época de explosão da informação, nenhum de nós pode aprender tudo, as escolhas devem ser feitas fundamentalmente sobre o que e como vamos aprender. Ao fazer tais escolhas, as tendências e os interesses individuais dos alunos devem orientar algumas de suas opções curriculares.
"Aos 6 anos, quando meus dedos descobriram como moldar um alfabeto, decidi me tornar uma pessoa das letras. Aos 10 anos, havia rabiscado letras em lousas, no papel, em caixas e paredes e criei a ambição de me tornar um pintor de letreiros." ( Carl Sandburg)
" Além dos tradicionais objetivos acadêmicos, as escolas foram planejadas para produzir um tipo de cidadão que é desejado para a sociedade. Quando uma sociedade decide abrir a educação para aqueles que não fazem parte de uma população pré selecionada, surge a pergunta: quem estaria habilitado para tal educação?
Reconhecendo ou estipulando que os indivíduos têm formas diferentes, aprendem de maneiras diferentes e podem inclusive demonstrar seu entendimento por meios variados, configura-se aquelas formas de educação que provavelmente vão dar certo com tipos variados de aprendizes. É esta perspectiva que impulsiona a escolarização baseada na teoria das inteligências múltiplas. (Inteligências Múltiplas Perspectivas, Howard Gardner, p.259,261,272 - 1998)
Para o Deficiente Intelectual, que possui suas capacidades cognitivas limitadas, a teoria de Gardner contribui muito quando afirma que na medida que os indivíduos têm oportunidades de aprender através de seus potenciais, mudanças cognitivas inesperadas e positivas, emocionais, sociais e até físicas ocorrerão. (Ensino e Aprendizagem por meio da Inteligências Múltiplas, Campbell & Dickinson, p. 22, 23 - 2000)


A Teoria das Inteligências Múltiplas contribui  na mudança de ótica com relação a aquisição de conhecimentos para o sujeito especial e de como poder ampliar as competências detectadas nesse sujeito.
Acreditar na inclusão do sujeito especial em diferentes grupos sociais e na sua capacidade de aprender, na mudança de paradigma com relação à inteligência e de como as relações entre as pessoas pode acrescentar nas estruturas do pensamento do indivíduo faz com que novas perspectivas se apresentem para os educadores que, muitas vezes, encontram-se impotentes diante das dificuldades apresentadas em seu trabalho. Além disso a Teoria de Gardner,  contribui em melhorar a qualidade de ensino e de sociedade.
Fontes Bibliográficas:
CAMPBELL, Linda
CAMPBELL, Bruce
DICKINSON, Dee, Inteligências Múltiplas, Ensino e Aprendizagem. Ed. ARTMED; 2000.

GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas. A teoria e prática, Porto Alegre. Ed. ARTMED Ed. S.A. ; 1993.

GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas Perspectivas, Porto Alegre. Ed ARTMED: 1998.

ANTUNES, Celso. Jogos para estimulação das Inteligências Múltiplas. Petrópolis, Rio de Janeiro. Ed. Vozes: 2002.