sábado, 11 de janeiro de 2014

A Rotina para o Autista é Importante na sua Adaptação!

      O autista apresenta uma visão do meio e uma organização mental diferenciada, própria do quadro de dificuldades sociais e de comunicação peculiares ao comprometimento dele.
      Para atender, trabalhar e fazer intervenções com um autista é necessário entendê-lo. É ele que mostra o caminho para o professor que deve sempre estar atento às suas emoções, ao que ele presta atenção, como aprende e como se desorganiza mentalmente e emocionalmente.
      É necessário explicar para o autista a funcionalidade de cada objeto que o cerca, cada atividade, cada necessidade de limites.
      O autista não entende pensamentos expressados através de metáforas, o pensamento subjetivo. Seu entendimento é literal à fala. Por isso, é necessário contar histórias, dramatizar com gestos e movimentos corporais, recontar histórias fazendo mudanças em cenas e falas, etc.
      O autista não deve ser privado da convivência com os colegas, porém deve-se cuidar os ambientes com barulho. O som incomoda e irrita o autista, fazendo com que ele se isole e até grite!
      A rotina é imprescindível para que o autista se adapte ao novo ambiente, entenda a organização do contexto, fique calmo e possa participar. Quando algo está fora de sua memória e ainda possa ocorrer situações em que surja desconforto diante do desconhecido e/ou haja alguma frustração, o autista se desorganiza emocionalmente e é difícil acalmá-lo e retomar a atividade, o passeio, o vídeo, .... com ele.
      A técnica da antecipação para o autista, evita que o mesmo se desestabilize quando ocorrem mudanças na rotina.
     O professor vai mostrando fotos da pessoa que o substituirá, por exemplo; mostra   fotos do lugar do passeio; apresenta possíveis sons diferentes que ele vai ouvir, e assim por diante uns 15 dias antes das mudanças ocorrerem, desta forma, o autista memoriza e a possibilidade de não aceitar a mudança na rotina quando esta ocorrer se desestabilizando emocionalmente será mais difícil. Ao usar a técnica da antecipação o professor possibilitará ao autista a participação e o prazer da convivência que para ele é difícil.
      Segue um exemplo simples de rotina para um autista que ingressa na escola, ou em uma nova escola. O professor adaptará esta rotina para a sua faixa etária e para os diferentes dias da semana. Esta rotina deverá ficar afixada na sala de aula e uma cópia deverá estar com a família que contribuirá na inclusão do aluno.


1 INÍCIO DO HORÁRIO NA ESCOLA: SALA DE AULA




2 ACOMPANHADO PELA MONITORA



3 ATIVIDADES




4 BANHEIRO




5 LANCHE




6  HORÁRIO DO INTERVALO ESCOLAR




7 ATIVIDADES LÚDICAS: JOGOS



8 TÉRMINO DA AULA




9 MICRO ESCOLAR: RETORNO PARA CASA




      O professor confeccionará a sua rotina para o aluno autista.  Sem ela, a adaptação do autista é difícil e demorada. As fotos da rotina devem  ser do ambiente em que o autista transita e das pessoas com quem ele convive.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Estimulação: Prevenção para dificuldades na Aprendizagem!

      As crianças percebem o mundo que as rodeiam por intermédio da experimentação sensorial de objetos: brinquedos, músicas, imagens, histórias,...
      A aprendizagem passa pelo corpo. A criança deve receber estimulação ao reconhecimento do corpo como produtor de som e de ritmo.





      Para a maioria das crianças que passam por dificuldades na escolaridade, a causa do problema não está no nível da classe a que chegaram, mas bem antes, no nível das bases.
      A estrutura da Educação Psicomotora é constituída por elementos básicos ou "pré requisitos", ou seja, condições mínimas necessárias para uma boa aprendizagem.
      A Psicomotricidade pesa consideravelmente sobre o rendimento escolar.
      Atividades de exploração e manipulação de diferentes materiais: blocos de encaixes, sequências com objetos, por exemplo, permitem que a criança experimente ação  como agrupar, empilhar, jogar, recolher, guardar, etc, aprimorando competências motoras e lógicas.








      O movimento é o principal veículo de prazer e conhecimento. Desenvolve-se a consciência corporal, controle sobre os movimentos e equilíbrio.
      A Psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo, bem como suas possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas.
      Wallon (1979,17) afirma que a ação motriz regula o aparecimento e o desenvolvimento das formações mentais.
      "O homem é psicomotor, isto é, sincronização do ter, do ser, do querer, do poder, ser e fazer." (Defontaine 1980, 33).
      As brincadeiras de representação familiar, constituem parte fundamental para a construção e organização do "EU".


      A própria criança percebe-se e percebe os seres e as coisas que a cercam, em função de sua pessoa. Sua personalidade se desenvolverá graças a uma progressiva tomada de consciência de seu corpo, de seu ser, de suas possibilidades de agir e transformar o mundo à sua volta.
      A criança se sentirá bem na medida em que seu corpo lhe obedece, em que o conhece bem, em que pode utilizá-lo não somente para  movimentar-se mas também para agir.



      Segundo Piaget, (Fonseca 2008, 148) as estruturas motoras grossas(amplas) preparam a coordenação motora fina e a motricidade interfere na inteligência antes da aquisição da linguagem.
      Atualmente, a criança está perdendo espaço para o corpo para dar lugar ao cérebro como se ambos fossem estruturas desconectadas.
      A estimulação sensório motora se faz necessário em todas as fases do desenvolvimento infantil, fases estas, que devem ser respeitadas em seu grau de maturação, prevenindo assim, as dificuldades de aprendizagem.


 

Referências:

FONSECA, V. Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. Ed. ARTMED. Porto Alegre, 2008. MEUR, A. De. Psicomotricidade. Educação e Reeducação. Ed. MANOLE. São Paulo, 1991.
www.psicomotricidade.com.br
www.sermotriz.com

sábado, 7 de dezembro de 2013

Funções do Cérebro!

      Neurociência em beneficio da Educação.




HENNEMANNEN Ana Lúcia. Neurociência na Educação.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Pirâmide da Aprendizagem!

      Pensando no contexto da Educação, não dá mais para manter apenas a aula expositiva, pois esta não assegura mais que o aluno se aproprie do saber.
      É necessário que o corpo esteja presente e não apenas o cérebro.
      O conteúdo tem que ser significativo, tem que haver emoção..... A emoção assegura a memorização!




HENNEMANNEM Ana Lúcia. Neurociência na Educação.

domingo, 1 de dezembro de 2013

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Paralisia Cerebral!

 
      Little(1843) descreveu pela primeira vez, a encefalopatia crônica da infância, e definiu-a como uma patologia ligada a diferentes causas e características. Freud, em 1897, sugeriu a expressão Paralisia Cerebral, que, mais tarde, foi consagrada por Phelps, ao referir-se a um grupo de crianças que apresentavam transtornos motores mais ou menos severos devido a lesão do sistema nervoso central (SNC), com alterações motoras parecidas ou não com a Síndrome de Little.
      Existem várias definições para Paralisia Cerebral, segundo diferentes autores. Cito essas:
      A definição mais adotada pelos especialistas é a de 1964 que define Paralisia Cerebral como:

      "Um distúrbio permanente, embora não variável, do movimento e da postura, devido a defeito ou lesão não progressiva do cérebro no começo da vida."

      A definição usada pela Associação Mundial de Paralisia Cerebral em 1988:

      "Um distúrbio de postura e movimento persistente, porém não imutável, causado por lesão no sistema nervoso em desenvolvimento, antes ou durante o nascimento ou nos primeiros meses da lactância" (Griffiths & Clegg, 1988).


      Segundo Schwartzman (1993) e Souza & Ferraretto (1998), a PC pode ser classificada por:

      Tipo de Disfunção Motora:
  • Paralisia Cerebral Espástica;
  • Paralisia Cerebral Coreoatetóide;
  • Paralisia Cerebral Atáxica;
  • Paralisia Cerebral Mista.
      Topografia Afectada:
  • Monoplegia;
  • Diplegia;
  • Hemiplegia;
  • Tetraplegia ou quadriplegia.
      Paralisia Cerebral Espástica: É a  mais frequente, ocorre em cerca de 70/80% dos casos. Caracteriza-se por um aumento do tônus e uma diminuição da força muscular. Ocorre por lesão no trato piramidal (córtex cerebral), área do cérebro responsável pelo início do movimento.
      As crianças com este tipo de PC tendem a desenvolver deformações osteo-articulares uma vez que os músculos afetados não têm um desenvolvimento normal. As deformações características nas crianças que adquirem marcha são:
  • Flexão da cabeça;
  • Rotação interna dos membros superiores;
  • Flexão e rotação interna dos quadris;
  • Flexão dos joelhos;
  • Pé equino.
      Hemiplégica: Afeta um dos lados (hemicorpo esquerdo). É a forma mais frequente. As causas são: alguns tipos de malformação cerebral, acidentes vasculares ocorridos ainda na vida intra uterina e traumatismos crânio encefálicos. As crianças apresentam bom prognóstico motor e adquirem marcha independente. Algumas apresentam um tipo de distúrbio sensorial que impede ou dificulta o reconhecimento de formas e texturas com a mão do lado afetado.


      Qualquer condição que provoque uma anormalidade do cérebro pode levar a Paralisia Cerebral. A lesão cerebral pode ocorrer:
  • No período pré natal, são aqueles que aparecem antes do nascimento. Principais causas: Alterações genéticas e/ou congênitas, sendo as mais importantes doenças infecciosas contraídas durante a gravidez (toxoplasmose, rubéola, citomegalus vírus, herpes vírus, sífilis), exposição prolongada aos Raios-X, uso de drogas e/ou álcool durante a gravidez, hidrocefalia, hemorragias durante o período gestacional, eclâmpsia, diabetes gravídica, etc.
  • No período peri natal, os problemas seriam causados por complicações ocorridas no momento do parto, que causariam sofrimento fetal com baixa oxigenação cerebral e consequente lesão do SNC, hiperbilibirrubinemia, prematuridade, etc.
  • No período pós natal, ocorrem após o nascimento da criança e secundariamente a processos infecciosos do SNC, principalmente encefalites e meningites, abscessos cerebrais, traumatismos cranianos, hipoxia cerebral grave (quase afogamento, convulsões prolongadas, paragem cardíaca).
     

      A PC além do quadro clínico normal que caracteriza a doença pode ter também um conjunto de distúrbios associados, tais como:
  • Atraso Mental, está mais associada as formas tetraplégicas, diplégicas e mistas.
  • Epilepsia, está geralmente associada a forma hemiplégica ou tetraplégica.
  • Distúrbios da linguagem.
  • Distúrbios visuais, pode ocorrer perda da acuidade visual ou estrabismo.
  • Distúrbios comportamentais, são mais comuns em crianças de inteligência normal ou perto do normal, que se sentem frustradas pela sua limitação motora e pela super proteção ou rejeição por parte da família.
  • Distúrbios ortopédicos, são comuns retrações tendinosas, alterações da coluna (cifoses, escolioses), etc.

      A PC não tem cura, uma vez que não se pode agir sobre uma lesão já superada e cicatrizada, portanto o seu tratamento é paliativo. Mas existem  várias opções de tratamento que podem ser usadas isoladamente ou em conjunto: medicação, cirurgia, fisioterapia, fonoaudiologia, neurologista, equoterapia e,  pedagogicamente, a tecnologia assistiva.
      Um programa de reabilitação tem como objetivos gerais:
  • Reduzir a incapacidade;
  • Melhorar a postura;
  • Melhorar a função.
      O PC deve receber atendimento de Educação Especial e serviços terapêuticos o mais cedo possível após diagnosticado. A intervenção é vital durante o período inicial, pois quando o cérebro é jovem tem um certo grau de plasticidade. Em nenhum outro estágio a criança aprende e se desenvolve tão rapidamente como durante os primeiros anos de sua vida.
      Os programas de intervenção precoce para crianças com PC devem ter uma abordagem centralizada na família.

Bibliografia:
GERALISIS Elaine. Crianças com Paralisia Cerebral. Porto Alegre, 2007. Ed ARTMED.
FARREL Michael. Deficiências Sensoriais e Incapacidades Físicas. Porto Alegre 2008. Ed ARTMED.
www.paralisiacerebral.org.br
www.minhavida.com.br
www.infoescola.com > Medicina > Neurologia

sábado, 2 de novembro de 2013

A Leitura e a Criança!

      Quando chega à escola, a leitura e a escrita são o básico, o central e o essencial que a criança precisa aprender. A criança precisa ler e escrever, ou o tempo que passar na escola será, em grande parte, desperdiçado.
      É possível, que a experiência de ler os argumentos de outras pessoas ajude-a a formar os seus próprios de forma mais lógica e eficaz. A criança pode vir a compreender uma importante parte de seu mundo através da experiência da leitura.
      Se a leitura pode trazer resultados tão grandes, assim também o pode a falha em aprendê-la. A maioria das crianças que demoram para aprender a ler também foram lentas para a expressão oral (a fala). Seu conhecimento do mundo é incompleto. Essa criança necessita e  merece ser auxiliada a aprender a ler de qualquer modo que seja possível.
      Outras crianças, embora sejam inteligentes, alertas e vivazes, apresentam dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita. Elas têm auxílio e encorajamento de seus pais, recebem atenção devotada e capacitada de seus professores, mas ainda assim, suas dificuldades persistem.
      Denomina-se essas crianças, cujo nível de leitura e da escrita situa abaixo do que seria de prever, levando em conta outros fatores tais como a inteligência, "atrasados na leitura e na escrita". Pode se dizer que 3 a 5% das crianças em nossas escolas ficaram seriamente atrasadas em sua leitura e escrita.




      O que fazer com o problema da dificuldade na aprendizagem da leitura e da escrita? Esse problema levanta duas questões:
  1. Como auxiliar a criança, que já se tornaram atrasadas em leitura, em suas dificuldades?
  2. Como fazer a prevenção desses problemas?
      Estas são questões práticas, mas a solução para elas devem depender de uma compreensão teórica apropriada do problema. Precisamos saber o que causa as dificuldades em leitura e em escrita. É necessário reunir teoria e prática.
      Os problemas estão na dificuldade de recordar grafema(letra) com fonema(som)? Os problemas são fono articulatórios, pois a criança é comunicativa?  Os problemas estão na memória? Os problemas estão na percepção visual? Só se pode prevenir algo ao se removerem as causas. Para os "atrasados em leitura e em escrita" os métodos de ensino que funcionaram para outras crianças podem ser inadequados para eles. Dificuldades diferentes naturalmente requerem tratamento diferente.
      A capacidade da criança recombinar sinais e sentidos, respondendo de forma sempre nova em cada situação (característica da criatividade humana), interage com a tentativa sistemática das instituições educacionais de controlar as suas respostas, incluí-las em moldes determinados que ofereçam ilusório compartilhar de sentidos, provisória estabilidade, constantemente desafiada. Para superar essa barreira, devemos transformar as formas como as práticas educativas são pensadas e considerar a interação social como o elemento mais importante para promover oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento. Devemos sempre observar crianças de diferentes idades. O foco da observação pode ser o desenvolvimento motor, a linguagem ou o pensamento conceitual.



      O jogo simbólico ou de faz de conta, particularmente, é ferramenta para a criação da fantasia, necessária a leituras não convencionais do mundo. Abre caminho para a autonomia, a criatividade, a exploração de significados e sentidos. Atua também sobre a capacidade da criança de imaginar e de representar, articulada com outras formas de expressão. São os jogos, ainda, instrumentos para a aprendizagem das regras sociais.
      Ao brincar, afeto, motricidade, linguagem, percepção, representação, memória e outras funções cognitivas estão profundamente interligados. A brincadeira favorece o equilíbrio afetivo da criança e contribui para o processo de apropriação de signos sociais. Cria condições para uma transformação significativa de consciência infantil, por exigir da criança formas mais complexas de relacionamento com o mundo.
      Há recíproca vinculação entre imaginação e emoção. Onde há emoção, ocorre a memória e a memória leva a aprendizagem. Ler para uma criança, é uma forma de incorporar ao seu dia a dia o contexto de mundo e das relações interpessoais. É uma forma da criança se familiarizar com a linguagem. Os livros trazem muitos estímulos para o seu desenvolvimento: os personagens, as emoções, a história, as ilustrações, o ritmo do texto, o tom de voz de quem lê. 




      Ao ler para uma criança, amplia-se os seus horizontes, aumentando a sua capacidade de compreender o mundo. Além disso desperta  o seu interesse pela leitura.. Estreita os laços de relacionamento entre a criança e a pessoa que está lendo.

BIBLIOGRAFIA:

WALLON, Henri. As origens do pensamento na criança. São Paulo. Ed. Manole, 1989.

OLIVEIRA, Zilma de Moraes Ramos. Educação Infantil Fundamentos e Métodos. São Paulo. Ed Cortez, 2012.

BRYANT & BRADLEY. Problemas de Leitura na Criança. Porto Alegre. Ed Artes Médicas, 1987.