domingo, 18 de agosto de 2013

A Mente do Autista e a Aprendizagem!

       Aprendizagem é definida como toda a mudança relativamente permanente no potencial de comportamento, que resulta da experiência, mas não é causada por cansaço, maturação, drogas, lesões ou doenças. A evidência da aprendizagem é encontrada nas mudanças observáveis ou potencialmente observáveis do comportamento, como resultado da experiência. Contudo,  a aprendizagem é um processo neurológico interno invisível. (LEFRANÇOIS, 2008, p.6)
      Para uma criança autista, a aprendizagem não ocorre através da vivência em seu ambiente, como as outras crianças. No autista há uma relação diferente entre o cérebro e os sentidos, e as informações nem sempre se tornam em conhecimento. Os objetos não exercem atração em razão da sua função, mas em razão do estímulo que promovem. O autista precisa aprender a função de cada objeto e o seu manuseio adequado. Quando ele vê uma bola, por exemplo, nem sempre deseja chutá-la ou jogá-la com a mão, como as crianças normalmente aprendem, mas cria estereotipias e formas incomuns de manuseio. As estereotipias causam atraso no desenvolvimento motor, principalmente nos movimentos finos. Diante disso, há a necessidade de estimular habilidades mais elementares (alinhavo, movimento de pinça, amassado, recorte, etc, brincadeiras que estimulem a motricidade fina em específico).

      O movimento de pinça pode ser realizado com abrir e fechar de prendedores e não o tradicional amassado com  papel e colagem sobre traçados ou imagens.
       Brincadeiras com ioiô, bilboquê, peteca, arremessar bola na cesta de basquete, jogar peteca, jogar cinco Marias e o vai e vem, auxiliam no avanço da coordenação motora ampla e fina.


       O professor deve aproveitar o fascínio do autista por determinado objeto e ensinar-lhe o uso correto e estimular a construção de outras habilidades.
      Serão imprescindíveis a virtude da paciência e a espera de resultados não imediatos. O foco na educação será o processo de aprendizagem e não nos resultados.
      O autista apresenta pequena concentração diante de atividades pedagógicas. E apresenta grande resistência para fazer aquilo que não quer. O professor além de paciente, deve munir-se de manejo afetivo constante e não forçar a realização de atividades para que o autista não se irrite e não fique ansioso, botando a perder todo a execução do que foi planejado. É sábio parar e retomar em outro momento a atividade. O professor precisa aprender a se relacionar com a realidade do mundo autístico. Nessa relação, quem aprende primeiro é o professor e quem vai ensinar-lhe é o aluno.
      Para o aluno com autismo, a princípio, o que importa não é tanto a capacidade acadêmica, mas sim a aquisição de habilidades sociais e a autonomia. O autista sente segurança na rotina.
      Para o autista compreender as coisas, o ponto de vista, as ideias, o contexto no qual faz parte ou aquele que se fala, tudo precisa ter objetivo e possuir função.
      O quadro do autista impõe a observação do professor e esta será o norte para conduzir o aluno em todo o processo. Além dos instrumentos avaliativos utilizados, o educador necessitará da sensibilidade para identificar as dificuldades e implementar as possibilidades de aprendizagem.
      É fundamental que o professor transmita segurança ao aluno com autismo e que a educação esteja centrada no ser humano e não na patologia. A relação afetiva do aluno autista com o professor é o início do processo de construção da sua autonomia na escola. Ainda que o autista enfrente dificuldades para compreender os sentimentos e a subjetividade das pessoas, ele não está desprovido de emoções. As atividades devem possuir um caráter terapêutico, afetivo, social e pedagógico. Para que ocorra situações de aprendizagem, o modelo pedagógico deve partir do aluno.
      Ainda que o aluno não aprenda perfeitamente aquilo que se busca ensinar, ele estará trabalhando sempre a interação, a comunicação, a cognição e os movimentos. O afeto é de primordial valor na superação das dificuldades.
      No autista é comum haver a ecolalia. A ecolalia pode representar a dificuldade que o autista encontra na compreensão. (BAPTISTA e BOSA, 2002) A falta da simbolização no autista justifica o não desenvolvimento de expressões mais elaboradas na sua linguagem, prejudicando a construção de novos significados. O professor necessita usar expressões claras e objetivas acompanhadas da afetividade. A postura do professor é de extrema importância, deve procurar falar olhando sempre para o aluno autista. O aluno autista não faz analogias, por exemplo, quando é dito que alguém trabalha como um "leão", sua compreensão é literal a fala. O aluno autista vive mais o presente, pois o futuro depende da imaginação. A imaginação é importante nos estágios da aprendizagem. O autista necessita sempre da explicação, pois não entende o que certas expressões e sentimentos representam. Por exemplo, o professor fala " a porta está aberta", para o aluno autista deverá dizer "feche a porta".
      A atenção é imprescindível para que ocorra a aprendizagem. Para o aluno autista prestar a atenção, já que a concentração dele é curta para as atividades pedagógicas, há a necessidade de motivá-lo e usar daquilo que o professor observou que ele gosta. Aí o foco da mente é mais fácil, mesmo diante das dificuldades da tarefa.
      R. é aluno TGD asperger e está realizando uma atividade através do Método Teacch, que objetiva desenvolver a independência do autista.
      O espectro do autismo apresenta melhor memória visual e tátil e necessita sempre da repetição.

BIBLIOGRAFIA: 
CUNHA Eugênio. Autismo e Inclusão. Ed WAK, Rio de Janeiro 2012.
FONSECA Laerte. Protocolo Neuropsicopedagógico da Avaliação Cognitiva das Habilidades Matemáticas. Ed. WAK, Rio de Janeiro, 2013.



quinta-feira, 27 de junho de 2013

Autismo, Psicose Infantil!

      Não há evidências inquestionáveis quanto a etiologia bioquímica, genética ou estrutural referente ao SNC(Sistema Nervoso Central) para as psicoses autísticas. O que existe são estudos multifatoriais que tentam entender os sintomas.
      O diagnóstico nem sempre é fácil. A instalação da psicose não se faz em data fixa, os sinais podem ocorrer desde os primeiros meses de vida da criança, mas também podem ocorrer em épocas mais tardias. Frequentemente, ocorrem atrasos no desenvolvimento da marcha e fala, provavelmente pela falta do investimento  afetivo no mundo externo.


     
      K. é Autista, Psicose Infantil e apresenta dificuldades na fala. Este exercício com uso de telefone e fones alternando o uso, é uma forma lúdica de exercitar a expressão oral e organização da narrativa. K. até os 4 anos de idade fez estimulação na APAE devido a dificuldade do controle da saliva(babava). Hoje, ainda com dificuldades na expressão oral faz atendimentos com fonoaudióloga, mas não tem dificuldades em controlar a saliva. Apresenta também dificuldades na marcha(puxa um pouco uma das pernas).

      Noções contemporâneas trata a distinção entre Psicose e Autismo. A psicose é tratada a mais tempo e o autismo está sendo cada vez mais estudado e pesquisado, porém é mais recente.
      A psicose é vista pela Psicanálise como uma estrutura clínica(existem três estruturas de personalidade: Psicose, Neurose e a Perversão)e o autismo sendo um agravamento precoce desta estrutura. Mas ainda é tema de controvérsias e discussões. Na psiquiatria, o autismo é visto como uma síndrome, ou seja, um conjunto de sintomatologias patológicas, que não possuem uma etiologia definida. A causa não foi isolada ou encontrada, acredita-se que muitos fatores sejam responsáveis ao mesmo tempo por tal quadro.
      Atualmente, a psiquiatria denomina o autismo de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento(CID10 F84.0), por suas características patológicas que retardam ou paralisam o desenvolvimento esperado de uma criança(aprendizagem, relacionamentos, etc.).




      PSICOSE:
  • Mecanismo de fuga, isolamento.
  • Afastamento da realidade externa.
  • Fuga para a realidade interna, fantasia.
  • Ego frágil.
  • Intolerância a limites, à frustração.
  • Dificuldade na abstração(falha na esfera simbólica).
     AUTISMO:
  • Ensimesmamento psicótico do sujeito em seu mundo interno e a ausência de qualquer contato com o exterior podendo a chegar ao mutismo.
  • Surgimento precoce de distúrbios(sono, alimentação, fobias).
  • Extremo isolamento.
  • Ausência da fala, da comunicação(distúrbios da linguagem).
  • Quando a fala está presente ocorrência da ecolalia.
  • Estereotipias gestuais(repetitivos).
  • Necessidade da rotina fixa(padrão repetitivo).
  • Recusa do olhar.
  • Incapacidade no relacionamento interpessoal(mesmo com os pais).
  • Auto e/ou hetero agressividade presente.
  • Uso de objetos externos independente de sua funcionalidade, obedecendo a uma lógica subjetiva.
  • Indiferença à dor.





      R.D. é um Deficiente Múltiplo(DMU), Deficiente Intelectual(DI- Síndrome de Down)  e TGD Autista. Dificilmente fala, ficando 90% do tempo que está na escola em total mutismo. Segundo a mãe, o mesmo ocorre em casa. Exercício de encher um balão, de forma lúdica, trabalhar a respiração e os movimentos musculares que envolvem a expressão oral e também as relações interpessoais, pois procura ficar isolado constantemente.

      CAUSA:

      PSIQUIATRIA:

  • Constitucional(genética/bioquímica).
  • Uso de drogas na gestação(pode causar alterações no feto).
  • Uso de drogas no homem pode causar anomalia em sua produção de espermatozóide e assim afetar a criança.

      PSICOLOGIA/PSICANÁLISE:

      Meio externo(cultura) e relação familiar. Etiologia multifatorial.


      TRATAMENTO:

  • Equipe multidisciplinar: Psiquiatra, Neurologista, Psicólogo, Fonoaudióloga, Assistente Social, Psicopedagoga, T.O., entre outros.
  • Tratamento psicofarmacológico.
  • Família precisa de acompanhamento por intermédio de terapia familiar e/ou psicoterapia individual.

      Segundo Psiquiatra Kanner, abaixo a tabela pela idade, a partir de suas pesquisas clínicas:

  • Autismo Precoce 0/5 anos.
  • Autismo Idade Escolar 6/7 anos.
  • Autismo Tardio 10/13 anos.
  • Esquizofrenia  13 anos em diante.
      PSICOSE:  Sai daquilo que lhe causa angústia(desorganiza). Mecanismo de fuga.

      AUTISMO: Ausência/indiferença frente à realidade externa. Mecanismo de isolamento.

BIBLIOGRAFIA:
Contribuição de René Schubert Psicólogo/Psicanalista.
BALBO  Gabriel e BERGÈS  Jean. Psicose, Autismo e Falha Cognitiva na Criança. Ed. CMC. Porto Alegre RS, 2003.
FACION José Raimundo. Transtornos Invasivos do Desenvolvimento e Transtornos de Comportamento Disruptivo. Ed. IBPEX Ltda. Curitiba 2005.
CID 10 Classificação Internacional de Doenças. Ed. USP São Paulo 2007
DSM-IV  Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Ed ARTMED Porto Alegre 2002 



sexta-feira, 14 de junho de 2013

Síndrome Prader Willi!

       A Síndrome de Prader Willi é uma doença genética (apresenta ausência de determinada região do cromossomo 15, 7 genes deste cromossomo estão faltando), que afeta o desenvolvimento da criança, resultando em obesidade, estatura reduzida e baixo tônus muscular(hipotonia).

      F.S.A. é portadora de Síndrome de Prader Willi. Está com 110Kg. Tem atendimento com psiquiatra, psicólogo e endocrinologista. Está no 4º ano do ensino fundamental.

      A Síndrome foi descrita pela primeira vez em 1956, por Andrea Prader, Heinrich Willi, Alexis Labhart, Andrew Ziegler e Guido Fanconi. O distúrbio é considerado atualmente a principal causa de obesidade de origem genética.
      Os portadores apresentam dificuldades na aprendizagem e problemas comportamentais, entre eles depressão, episódios de violência, mudanças repentinas de humor, impulsividade, agitação e obsessões por determinadas ideias ou atividades.
      De ordem genética, a parte ausente é de origem paterna, e não materna. O diagnóstico é feito por meio de teste genético, capaz de identificar a ausência da contribuição paterna no cromossomo 15. Geralmente, a identificação da síndrome ocorre após a manifestação da obesidade. Sugere-se que o teste genético seja requisitado em recém nascidos com hipotonia e dificuldade na sucção.

      F.S.A. realizando atividade de organização temporal, sequência lógica no atendimento educacional especializado -AEE- Sala de Recursos.

         O conhecimento da família sobre a síndrome permite a busca de um  espaço inclusivo, seguro, assistido e estimulador para o paciente se desenvolver e de um acompanhamento de saúde e de educação adequados.

      F.S.A. é alegre, comunicativa e está alfabetizada. Apresenta dificuldades na compreensão e raciocínio lógico.

      A síndrome possui uma síndrome irmã, a Síndrome de Algelman.
      A Síndrome de Prader Willi apresenta o seguinte quadro clínico:
  • Retardo mental.
  • Hipotonia grave( flacidez).
  • Dificuldades de deglutição(para engolir).
  • Obesidade.
  • Hipogonadismo(defeito no sistema reprodutor). Dificuldades na saciedade.
     Seu Código de Doença: CID 10 - Q87.1

      F.S.A. adora atividades na informática. Não gosta de repetir as atividades, gosta de inovar e não tem receio de tirar as suas dúvidas.Repete várias vezes a mesma dúvida. Ainda não realiza abstrações, necessitando do material concreto para as atividades lógico matemáticas. Necessita ser observada constantemente na alimentação, pois é compulsiva e se alimenta várias vezes durante o dia.

BIBLIOGRAFIA:
Laboratório de Neurociências, São Paulo - SP.




domingo, 9 de junho de 2013

A Educação não pode ser TERCEIRIZADA! A Família frente a educação dos filhos!

       No dia seis de junho de 2013 na Igreja Evangélica Brasil para Cristo estive ministrando a palestra sobre Relacionamento pais e filhos; A família frente a educação dos filhos; Pais que levam uma vida com oração; etc.
       A palestra foi produtiva e esteve presente por volta de 80 pais e alguns filhos já adolescentes e jovens. Pais interagiram com exemplos e questionamentos.


      Foram pontos imprescindíveis da palestra:

  •  A presença do AMOR na decisão para o casamento;
  •  O Não e os Limites aos filhos são PROTEÇÃO; 
  • A Coerência dos pais no FALAR e AGIR para a construção da segurança na personalidade dos filhos e a aquisição de confiança para com os pais; 
  • Não subestime uma criança, ela PERCEBE e está ATENTA a tudo;
  •  A Organização e a higiene do LAR, fatores importantes para a aquisição de bons hábitos nos filhos; 
  • A importância da sinceridade e a VERDADE nos relacionamentos familiares para a construção do caráter e moral dos filhos que serão projetados na SOCIEDADE;  
  • A educação dos filhos não podem ser TERCEIRIZADOS, é tarefa dos PAIS;
  • É tarefa dos pais a alimentação, a higiene, a educação, o social, o mental e o espiritual dos filhos;
  • Lar em confusão e constantes conflitos geram filhos rebeldes e inseguros;
  • A importância do DIÁLOGO no lar e na educação e trato com os filhos, etc.



      Pais que participaram da palestra trouxeram à tona situações de família de origem que projetavam em suas famílias constituídas e que aprenderam a se libertar do passado e entender que os seus filhos estão vivendo em outro momento de história e quanto este rompimento do que passou  é importante para os relacionamentos interpessoais e para o agir de seus filhos no social, na escola e nas suas produções.


      Pais e filhos participaram da palestra trazendo a necessidade de se refletir sobre a família, a igreja a escola, e da responsabilidade da educação que deve iniciar no LAR. A escola e a igreja são auxiliadores da educação. Trouxeram também a necessidade de se falar sobre o que é ÓBVIO, pois este também deve ser dito!

BIBLIOGRAFIA:

TRIPP Tedd. Pastoreando o Coração da Criança. Ed. FIEL, São Paulo - 2007.
EETAD (Escola Teológica das Assembléias de Deus) A Família Cristã. São Paulo- 2004.
MORA Estela.Psicopedagogia Infanto Adolescente Vol 1, 2 e 3. Ed. CULTURAL S.A. - 2007

sábado, 11 de maio de 2013

Método Teacch: Autista!

       Vários transtornos psicopatológicos e deficiências na infância e adolescência podem manifestar-se,
 primeiramente, de uma forma bastante sutil, muitas vezes, apresentando grandes dificuldades para o avaliador durante a formulação do diagnóstico e para o professor especialista em educação especial.
      Neste período, é possível observar que a aquisição de uma série de habilidades, sejam de ordem psicomotora e/ou social, pode ficar comprometida, o que traz sérios prejuízos à vida dessas pessoas.
      Em 1943, o psiquiatra Leo Kanner observou e descreveu 11 crianças que apresentavam um quadro clínico peculiar: o principal sintoma era uma incapacidade para se relacionar com outras pessoas e situações.
      Entre outras características observadas, destacavam-se a ausência de movimento antecipatório, a falta de aconchego ao colo e alterações da linguagem, como a ecolalia, a descontextualização do uso das palavras, inversão pronominal, repetição das atividades e movimentos(estereotipias), grande resistência a mudanças- mesmo que pequenas- limitação da atividade espontânea.

R.D. tem síndrome de Down e comorbidades com autismo. Ausência de movimentos e resistência durante as atividades. Colocação de fichas organizadas, observando a mesma cor (Método Teacch).




R.D. interagindo com rótulos e peças para montar. Após vários atendimentos, começam a surgir alguns movimentos e envolvimentos com objetos e atividades propostas.


Este aluno R.L., asperger, está realizando atividade de pareamento, Método Teacch para autistas, com rótulos. Já está alfabetizado e apresenta conservação de quantidades.


R.L. colocando objetos, Método Teacch, no respectivo lugar conforme a sua forma.

       Método Teacch, pareamento tampas e potes. O pareamento é um pré requisito para que o educando aprenda receber informações de sua rotina e situação de aprendizagem através de objetos ou cartões.


       R.L., asperger realizando o pareamento, Método Teacch, com tampas e potes.
      O Método Teacch, que significa Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Deficiências Relacionadas à Comunicação, utilizado com alunos TGD, Transtorno Global do Desenvolvimento, em específico, com autistas, deve ser organizado de tal forma que o aluno entenda o que precisa  fazer somente olhando para o material: que ele perceba o que deve fazer, como fazer e onde guardar após a conclusão do trabalho.
      O material deve ser organizado da esquerda para a direita, seguindo os passos minuciosamente, respeitando a direção da escrita e separando os diferentes materiais que formam uma atividade.










       Essas imagens são algumas atividades do Método Teacch, para realizar intervenções nas aprendizagens com autistas. 
      Os materiais utilizados, envolvem conteúdos e atividades das diferentes áreas do desenvolvimento, tais como: cognitiva, psicomotora, auto cuidado, linguagem, social, emocional e acadêmica, as quais podem ser exploradas de acordo com o programa individual de cada educando, baseado na sua necessidade bio-psico-social.
      Área Cognitiva: Desenvolver na criança a capacidade de aprender as funções intelectuais, melhorando a sua capacidade de interiorizar as habilidade e conhecimentos do meio em que vive e melhorar a aprendizagem acadêmica. Atenção, memória, percepção, associação de ideias, sequência lógica e organização de ações.
      Área Social: Promover no aluno a integração no meio onde está inserido. Socialização do aluno consigo mesmo, com relação à família, com relação à escola, com relação à comunidade e hábitos de cortesia.
      Área Emocional: Proporcionar ao aluno o conhecimento de si mesmo, suas possibilidades e limitações, facilitando a formação de sua auto imagem e adequação dos comportamentos de acordo com a idade, bem como estimular o desenvolvimento de sua independência e também, orientação sexual.
BIBLIOGRAFIA:
APOSTILA DA AMA, Associação de Amigos do Autista de São Paulo, novembro de 1995.
BERGES J, BALBO G, Psicose, Autismo e Falha Cognitiva na Criança. CMC Editora, Porto Alegre, 2003.
FACION J.R., Transtornos Invasivos do Desenvolvimento e Transtornos de Comportamento Disruptivos. Editora IBPEX Ltda, Curitiba, 2005.





sexta-feira, 29 de março de 2013

Disgrafia: Transtorno da Escrita!

      A disgrafia é uma alteração da escrita que afeta na forma ou no significado, sendo do tipo funcional. É também chamada de letra feia. É uma perturbação no aspecto motor do ato de escrever provocando compressão e cansaço muscular, que por sua vez são responsáveis por uma disgrafia deficiente, com letras pouco diferenciadas, mal elaboradas e mal proporcionadas.
      A criança com disgrafia apresenta manifestações secundárias motoras que acompanham a dificuldade no desenho das letras, e que por sua vez a determinam. Entre estes sinais, encontram-se uma postura incorreta, forma incorreta de segurar o lápis ou a caneta, demasiada pressão ou pressão insuficiente no papel, no ritmo da escrita muito lento ou excessivamente rápido.


      A criança com disgrafia tem dificuldade no plano motor, no plano perceptivo e no plano simbólico. A dificuldade de integração visual motora dificulta a transmissão de informações visuais ao sistema motor.
      "A criança vê o que quer escrever, mas não consegue idealizar o plano motor." Sua escrita é nitidamente diferente da escrita da criança normal, o que acarreta homogeneidade no interior do grupo dos disgráficos.


O que fazer?

  •       Deixar a criança expressar-se livremente no papel, sem corrigir nem julgar os resultados.
  •       Encorajar a expressão através de diferentes materiais. Todas as tarefas que impliquem o uso das mãos e dos dedos são positivas.  
  •      Incitar a criança a recortar desenhos e figuras, a fazer colagens e picotar.
  •    Promover situações em que a criança utilize a escrita ( ex: escrever pequenos recados, fazer convites e postais ).
  •     Fazer atividades como contornar figuras, pintar dentro de limites, ligar pontos, seguir um tracejado, etc.
      Orientação espacial, noção de tamanho, distância, à medida que é utilizado o limite das linhas, discriminação visual. É preciso respeitar o ritmo de cada pessoa na aprendizagem se iniciando com linhas retas, depois para as curvas e assim uma progressão gradual do indivíduo na medida em que o trabalho vai se encaminhando. Exercícios de orientação de tamanho, de densidade, de profundidade, espacial, noção de início, meio e fim, limites.


Problemas Pessoais:

  • Imaturidade física motora.
  • Inadaptação para a aprendizagem das destrezas motoras.
  • Pouca habilidade para pegar no lápis ou na caneta.
  • Posturas incorretas.
  • Déficit em aspectos do esquema corporal, da lateralidade e das funções perceptivos-motoras.
  • Perturbação de eficiência psicomotora ( do equilíbrio e motricidade débil ).


Problemas Pedagógicos:

  • Orientação deficiente e inflexível.
  • Orientação inadequada da mudança de letra scripti para a cursiva.
  • Ênfase excessiva na qualidade e rapidez da escrita.
  • Prática da escrita como atividade isolada das exigências gráficas e das restantes atividades discentes.
Bibliografia:

MARTINS, V(2003) Estudo acompanhado: manual de sobrevivência para estudantes perdidos e para professores ansiosos. Porto: Asa Editores
FERNANDES, P(2002) Manual de Estudo. Porto: Porto Editora
SANTOS, M(2005) Aprender a Estudar. Lisboa: Lisboa Editora
ALMEIDA, A(2010) Manual para tratamento de Disgrafia. Biblioteca Editora.


    

domingo, 10 de março de 2013

Autismo! Entendê-lo? Ainda é desconhecido!

      Alguns autores entendem o autismo clássico aquele que apresenta a "tríade" de comprometimentos: o isolamento social, dificuldades na comunicação e insistência na repetição. O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 2000, Editora Artmed, define o autismo como dificuldades sociais, comprometimento da comunicação e comportamentos restritos. Todos os déficits precisam estar presentes, mas o déficit social sendo o mais acentuado.



      "Transtorno de desenvolvimento caracterizado por dificuldades e anormalias em várias habilidades de comunicação, relacionamento social, funcionamento cognitivo, processamento sensorial e comportamental." (Gary B. Mesibov)
      O autismo é derivado de um desenvolvimento neurológico atípico. Kanner, 1943, descreveu pela primeira vez o autismo. Desde então a síndrome vem sendo estudada. Leo Kanner, psiquiatra amaricano, fez esta pesquisa baseado em algumas crianças que se encontravam em sua unidade psiquiátrica com uma linguagem peculiar, insistência em rotinas e possuíam também, um comportamento repetitivo.
      A gênese do autismo tem uma base biológica e um forte componente genético.
      Atualmente, o autismo é frequentemente citado como Transtorno do Espectro do Autismo(TEA).
      Além do autismo clássico, o transtorno de espectro de autismo compreende:

  • O Transtorno Global do Desenvolvimento sem outra especificação(visto como uma forma mais amena do autismo).
  • Síndrome de Asperger(Não apresenta o mesmo déficit de comunicação, diferente do autismo, e apresenta quociente de inteligência normal).
  • Sindrome de Rett(afeta apenas meninas, a capacidade de interação social se deteriora, as habilidades cognitivas, motoras e de fala ficam comprometidas).
  • Transtorno Desenintegrativo da Infância(após dois anos de vida, as habilidades cognitivas, motoras e de vão se deterorando. Afetam mais meninos).
  • Transtorno Semântico-Pragmático(envolve a linguagem, pode haver ecolalia).
  • Transtorno de Personalidade Esquizóide(distanciamento das relações sociais).
      Com relação a inteligência, as crianças com transtornos do espectro autista, surgem com aparecimento de dificuldades profundas na aprendizagem e até alunos com capacidade acima da média.
      Para diagnosticar o autismo, a única maneira é através da observação clínica e de uma equipe interdisciplinar.
      Para auxiliar um aluno com autismo, deve-se oferecer sempre atividades que favoreçam a sua participação(use duplas ou grupos de quatro), realizar planejamento individual de ensino, observá-lo em atividades livres e dirigidas, não infantilizá-lo e sim respeitar a sua idade cronológica, disponibilizar material pedagógico ao seu alcance na sala de aula em locais diferenciados, fazer uso de regras fáceis na hora da recreação.
Bibliografia : FARRELL, Michael Dificuldades de Comunicação e Autismo, Porto Alegre 2008. Editora Artmed.